Eu Sozinha

Por: Renata de Castro Camargo Barbosa | Em: 23 / maio / 2022

Eu Sozinha, obra inaugural de Marina Colasanti (1964), escrita quando tinha vinte e seis anos de idade e atuava como redatora e cronista do Jornal do Brasil, publicada após 5 anos da primeira tentativa. Em 2018, teve sua primeira edição digital (Editora Global). Possui 46 capítulos, sendo o primeiro como uma autoapresentação, os capítulos pares retratam momentos presentes em Ipanema, no Brasil e os ímpares são autobiográficos e cronológicos, dos momentos vividos a começar pela África, aonde nasceu.

Textos que parecem isolados, mas, formam uma unicidade, por isso mesmo, Marina gosta de frisar que não são crônicas. São textos curtos, mas, profundos, envolventes, que narram momentos de sua vida, do passado e do presente, que ela descreve com grande sensibilidade. Ao começarmos a leitura, é nos feito um convite a percorrer cada página, para vivenciá-la juntamente com a autora.

O livro fala de solidão, uma mulher mora, caminha, viaja, trabalha só, mostrando que a solidão faz parte do ser humano. Às vezes, mesmo cercados de pessoas, estamos só. Suas memórias em cada capítulo, retratam seus momentos de solidão. O que não a impediu de viver plenamente, estar com pessoas, produzir, obter conquistas. 

É um livro que pode ser considerado atemporal, como mesmo diz Marina, “os seres humanos precisam narrar. Não para se distrair, não como uma forma lúdica de relacionamento, mas para alimentar e estruturar o espírito, assim como a comida alimenta e estrutura o corpo.” (COLASANTI, 2004: 210). Os seres humanos precisam ler Eu Sozinha e todos os mais de 50 títulos da autora, entre poesias, contos, crônicas, livros para crianças, jovens e ensaios sobre os temas literatura, o feminino, a arte, os problemas sociais e o amor, além de ilustrações feitas por ela mesma em quase todas as publicações.

Referência:

COLASANTI, Marina. O mapa da mina, ou pensando na formação de leitores. In: ____. Fragatas para terras distantes. Rio de Janeiro: Record, 2004: 210.