Sejamos todos feministas

Por: Camilla Doudement Oliveira | Em: 1 / junho / 2020

O livro de Chimamanda Adichie, com pouco mais de 70 páginas, extraído de uma palestra realizada em 2012 no TEDXEuston, conferência anual com foco na África, traz uma narrativa anti colonizadora sobre conceitos impostos da sociedade patriarcal sobre o feminismo.

É interessante como a autora passeia sua vivência dentro seu país, Nigéria, nas relações produzidas no decorrer da vida, na escola e com amigos e expõe a partir delas como o machismo atravessou sua vida. O primeiro relato é sobre quando ouviu a palavra “feminista” direcionada a ela pela primeira vez e que desde então começou a se entender enquanto feminista. A cada intervenção feita por alguém que tentava de alguma forma silenciar/encurralar sua vivência de corpo e voz, ela se tornaria cada dia mais feminista e percebia a importância de tomar essa posição para subverter a lógica construída dessas narrativas. Chimamanda nos mostra o quanto a violência se torna algo repetitiva e por isso acabamos por naturalizá-la e cair nos estereótipos ficcionados sobre o feminismo.

Durante a leitura, podemos nos aproximar da autora em vários momentos, e nesse momento percebendo que a estrutura, em Lagos ou em Caxias, no interior do Maranhão (BR) são espelhos de um modelo patriarcal. Todas as mulheres que leram o livro e debateram durante o encontro do Leia Mulheres (Caxias-MA), se identificaram com pelo menos uma experiência vivida pela autora.

A leitura é simples e próxima à realidade de qualquer pessoa, não importando a classe social, o que torna primordial para iniciação do feminismo como prática e a liberdade de se identificar enquanto feminista, sem medos. O processo para se identificar enquanto feminista, e perceber sua importância é individual e no tempo de cada pessoa, a estrutura em algum momento vai mostrar que estamos sendo vigiadas e podemos ser punidas.

Logo após relatar a importância do feminismo como prática a liberdade de ser quem se é, Chimamanda nos mostra um caminho a seguir. A discussão sobre o gênero não evoluiu, a humanidade, evoluiu após tantas revoluções nas formas de poder, mas a estrutura montada pelo patriarcado continua parindo o machismo enquanto não for ampliada a discussão sobre gênero na perspectiva de uma construção social.

Camilla Doudement Oliveira

Sou advogada e especialista em Direitos Humanos, minha área é educação.

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