Oito do Sete

Por: Michelle Henriques | Em: 8 / abril / 2020

“Foram muitos goles de café na compulsão. Quem não voa, bebe café.” (pág. 128)

Não me lembro exatamente quando conheci a Cristina Judar. Acho que nos adicionamos em algum momento no facebook. Ela estava lançando o livro Oito do Sete e eu me lembro de ter ficado impressionada com a capa. Desde então ele estava na minha lista de leituras. Como eu sempre digo, eu leio determinados livros na hora certa. Nesta quarentena eu estava com uma ressaca literária bizarra. Ele e Assim na terra como embaixo da terra da Ana Paula Maia me tiraram dela.

Oito do Sete foi publicado pela Editora Reformatório em 2017. Com ele, Judar foi finalista do Jabuti e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria de autor estreante acima de 40 anos. Esse é o primeiro romance da autora, mas não seu primeiro livro. Em parceria com Bruno Auriema ela publicou os quadrinhos Lina em 2010 (Estação Liberdade) e Vermelho, Vivo em 2011 (Devir). Em 2016 foi a vez do livro de contos Roteiros para uma Vida Curta, também pela Reformatório.

No romance, Cristina Judar não segue uma ordem cronológica da narrativa, fazendo um jogo com sua escrita que é poética, sem ser inalcançável. Ela divide o livro em quatro partes: Magda, Glória, Serafim e Roma. Madga e Glória são um casal inserido na cultura pop e underground. Resolvem ter experiências com outro casal, Rick e Jonas. Só que algo inesperado acontece, Glória se junta a Rick e vão para a Itália. A cidade de Roma também é uma personagem no livro, testemunha de tudo que acontece com o casal e como isso impacta Glória.

Serafim é um anjo de seis asas. Ele diz: “Aprendi a fingir compaixão pela finitude dos humanos, isso em mim não pode doer, não está refletido nos meus genes e no meu repertório. Posso parecer até um filho da puta, mas definitivamente não faço por mal.” Serafim acompanha Glória e Magda, fica por perto, forma um ménage inconsciente.

Como disse acima, o livro não segue uma linha narrativa comum. As vozes e os tons mudam, parece que estamos lendo a descrição de uma sequência de sonhos. É um fluxo de consciência, mas não é truncado. Belo romance de estreia que nos faz querer mais livros de Cristina Judar.

Michelle Henriques

Michelle Henriques é louca dos gatos e trabalha com livros. Ama café, escreve sobre cinema no Cine Varda e fala de terror no Necronomiconversa.

Veja outros posts de Michelle Henriques