Entrevista: Caitlin Doughty

Por: Michelle Henriques | Em: 19 / julho / 2019

Desde que eu descobri que a literatura não era mais uma atividade solitária, tem sido incrível encontrar as pessoas que eu leio. Com algumas delas eu converso por whatsapp, com outras eu já conversei pessoalmente, e outras eu cheguei até mesmo a entrevistar. Mas sempre fica aquele medo: “Será que a pessoa é bacana? Será que vou me decepcionar? E se isso acontecer, como fica o amor pelos livros?”. Em 2016 eu conheci o Karl Ove Knausgård e foi uma experiência incrível. Até escrevi a respeito, pois ele foi o primeiro autor internacional que conheci. 

Mês passado a Raquel da DarkSide entrou em contato comigo para perguntar se eu tinha compromisso no dia 12 de junho. Ela citou duas palavras “amigas” e “drinks”, então obviamente que aceitei sem nem mesmo ter maiores detalhes. No dia seguinte ela oficializou o convite. Caitlin Dougthy estaria no Brasil na semana seguinte para a 14ª edição do Fórum de Gestão e Administração de Cemitérios e Crematórios e para o lançamento de seu segundo livro Para toda a eternidade

Quem acompanha o site do Leia Mulheres há algum tempo deve se lembrar que eu escrevi uma resenha sobre o primeiro livro da Catilin, Confissões do Crematório. Eu gostei demais dele, foi a minha melhor leitura de 2016 e está certamente no meu top 5 de livros da vida. Para minha alegria, ano passado nós o discutimos em outubro no Leia Mulheres São Paulo. Essa leitura mudou a minha vida, me fez enxergar a morte de uma forma totalmente diferente e me tornei muito fã da autora, acompanhando sempre suas redes sociais, artigos e seu canal Ask a Mortician. Tudo isso para explicar um pouco da importância da Caitlin Doughty na minha vida. 

Mas voltando ao convite da Raquel, no dia 12 de junho fomos a um jantar da ACEMBRA. Peguei um uber para ir ao local e estava um trânsito absurdo. Atrasei mais de meia hora e a ansiedade estava gritante. Conseguir chegar antes do jantar em si, sentei na mesa e vi a Caitlin entrando no salão. Fiquei paralisada, até o momento em que a Raquel falou para irmos dar oi para ela. Fui com a Jéssica Reinaldo e ela estava tão ansiosa quanto eu. 

Caitlin é alta, tem olhos claros, é muito engraçada, simpática e comunicativa. Alguns minutos depois já consegui conversar um pouco com ela. Falamos da Copa, de basquete, dos nossos presidentes e comentei que estava ansiosa para vê-la no dia seguinte, na sessão de autógrafos que iria rolar na Augusta. Fui para a casa muito feliz. No dia seguinte acordei bem cedo, tive um compromisso relacionado ao Leia Mulheres e de lá fui correndo para o Hotel Renaissance, onde eu iria entrevistá-la. 

Sim, esqueci de contar isso. Quando fui chamada para a entrevista, achei que seria uma coletiva, mas não, seriam entrevistas individuais. Congelei. O que eu iria perguntar? Eu ia conseguir falar em inglês? Quantos minutos seriam? No final das contas deu tudo certo. Minhas perguntas receberam respostas interessantíssimas, o tempo foi suficiente, e eu fiquei muito contente com o resultado. 

Você pode conferir o resultado da conversa no vídeo abaixo. Já peço desculpas pelo meu inglês macarrônico de quem estava diante de uma grande inspiração. E agradeço aqui a edição da Patrícia Leuenroth, porque eu sou uma negação com tecnologia. Fiquei umas boas três horas olhando para o computador sem saber direito o que fazer. Meu negócio é o Word e a boa e velha combinação de caderno e caneta. 

Aproveitei meu banco de horas do trabalho para essa saga da Caitlin. Após a entrevista fui para o trabalho. O dia passou muito rápido, pois ainda teve jogo da Seleção Feminina. Saí mais cedo para a noite de autógrafos. Como sempre, mais uma fala incrível e uma simpatia imensa com os presentes. Fiquei ajudando e tirando fotos para as pessoas, acompanhei as conversas, os abraços e as dedicatórias. 

Eu mesma fiquei ali para pegar mais uma assinatura. Antes da entrevista ela havia assinado o meu exemplar de Confissões do Crematório. Fizemos piadas sobre eu estar ali de novo, agradeci novamente pela sua visita e pela importância de seu trabalho. As pessoas acham que só aqueles que são mórbidos, góticos e esquisitos se interessam pela morte. Caitlin Doughty estava ali com uma blusa florida, sorriso no rosto e abraçando todo mundo. Ela até fez piada de como os brasileiros gostam de fazer corações com as mãos. Falei que somos assim mesmo. 

Trabalhar com livros é sempre uma grande surpresa, nunca sabemos se vamos encontrar alguém bacana. E eu tive muita sorte, uma das pessoas que mais admiro na vida é uma pessoa incrível. Espero que ela volte ao Brasil para o lançamento de seu terceiro livro, e eu possa me encontrar novamente com ela. E que todos os nossos ídolos sejam assim. 

Muito obrigada, Raquel e DarkSide, por proporcionarem este encontro!

PS: Se alguém tiver dúvida para entender o conteúdo do vídeo, por favor, mande um e-mail para [email protected] que enviaremos a transcrição da entrevista em português. 

Michelle Henriques

Michelle Henriques é louca dos gatos e trabalha com livros. Ama terror, café, escreve no blog Feminist Horror e no site Cine Varda.

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