Velhices e Outras Coisas

Por: Josiene Vieira | Em: 3 / junho / 2019

Ana Cristina Passarella Brêtas nasceu em 1961, na cidade de São José do Rio Preto-SP. Vive em São Paulo desde 1983. É enfermeira, socióloga, professora associada aposentada da Universidade Federal de São Paulo. A partir de 2015, passou a dedicar-se ao seu processo de formação como escritora. Foi finalista, com a crônica ”Não nasci comendo alface”, do Prêmio Sesc de Crônicas Rubem Braga- Edição 2015 e, com o conto “As sombras da cidade”, do concurso literário Mulheres Contistas, promovido pela editora Zouk e casa da Mãe Joana em 2017. (Texto retirado da orelha do livro)

Inicialmente pensei que ele fosse um livro de contos sobre a terceira idade e as dificuldades que envolvem essa fase da vida, só por ler o título, mas não, este é um livro de narrativas, narrativas da vida, narrativas da vida das gentes que habitam as cidades, mais especificamente a de São Paulo, que claramente é uma inspiração para a autora. Cada uma dessas histórias poderiam pertencer àquelas pessoas que vemos da janela do ônibus, na estação do metrô, sentadas ao nosso lado no transporte público, na nossa frente nas filas, e que ficamos imaginando qual seria a história de vida dessas pessoas que em muitos casos são iguais às nossas. Enfim a inspiração é a vida.

Nele existem histórias de todos os tipos. temos denúncia de assédio no trabalho e com um chefe que acha que falar da calça skinny da delegada é um elogio, “…Sou temente a deus, cuido dos desfavorecidos. Sabe de uma coisa, cansei. A doutora está atrapalhando o meu raciocínio. Sua calça justa, o colete sobre a camisa preta… ”. Temos mudança de rotina com um toque de comédia, com o casal que muda-se de um apartamento para uma casa de vila “Arrisco sussurro: – a gente fica aqui no quarto, deixa os meliantes na casa, quando amanhecer avalia o tamanho do estrago. Foi só falar para o barulho aumentar. Vozes, muitas…”.

Mas a  narrativa que mais gostei foi a que deu vida à biblioteca Mário de Andrade, ela possui sentidos e passa a narrar a vida que acontece em seu entorno e em seu interior, “Leitores, de todo tipo, buscam nas minhas prateleiras substâncias que conduzirão a diferentes propósitos.” Nós que amamos os livros adoramos quando um autor escreve sobre este universo e essa narrativa é tão poética em sua simplicidade que cria em nossa mente todas aquelas cenas narradas pela biblioteca.

Mas não posso deixar de lado a História, com H maiúsculo mesmo, “Há de ser outro dia”, pois se nas outras podemos em algum momento dizer que é apenas ficção, essa não, essa aconteceu e acontece, infelizmente, com muitas brasileiras, meninas inocentes que sonham com um futuro melhor, com uma perspectiva de vida melhor e veem seus sonhos desmoronarem por pessoas que até então pareciam que seriam seus salvadores “Você é como se fosse da família. Também não tive mesada, nem presentes nos aniversários como as Suas Crianças. No quarto delas só entrava para limpar, o meu ficava fora da casa.

Falar a respeito de um livro com tantas narrativas emocionantes, que fazem rir, chorar, sentir raiva, não é nada fácil. É difícil dizer do que se gosta mais, apesar de ter escolhido um preferido. O que se sente ao lê-lo irá influenciar o leitor conforme a sua própria vivência e experiências. Poderia ficar falando de todos os contos aqui sem me cansar, algumas histórias irão agradar mais que outros, como em todo livro de conto, mas acredito que quem o ler não se decepcionará com a qualidade da escrita e criatividade das narrativas.

Josiene Vieira

Sou Josiene Vieira tenho 29 anos, baiana de Ibiratiaia, formada em ciência da computação. Gosto de cozinhar, bordar, assistir séries e filmes, ler e ler muito. Já tentei fazer várias coisas na vida, atualmente sou funcionária pública, mas a que deu mais certo foi me tornar leitora. Leio à pouco tempo, três anos, não por falta de gosto mas por falta de incentivo e oportunidade, na adolescência e infância tinha muita vontade de ler mas não tinha orientação a respeito do que ler.

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