O Papel de Parede Amarelo

Por: Patricia Lorena | Em: 19 / dezembro / 2018

O Papel de Parede Amarelo é um livro curto, mas denso, escrito no final do século XIX por Charlotte Perkins Gilman, escritora norte-americana.

A escritora, poeta, ativista e autora nasceu em 03 de julho de 1860 e morreu em 17 de agosto de 1935, vivendo entre os séculos XIX e XX. Foi pioneira ao tratar questões como a condição da mulher e as convenções sociais de sua época. Uma atitude corajosa para quem vivia um modelo de sociedade que condenava à clausura por debilidade e histeria as mulheres que ousassem escrever. Acrescendo que a histeria era considerada uma doença com origem no útero, talvez por isso sempre ouçamos dizer que é histérica a mulher sem sexo, sem filhos. Colocar para fora, no papel, dores, angustias, insatisfações, mas também os seus sonhos poderia ser ameaçador em uma época em que homens se tornavam grandes cientistas, intelectuais e políticos e conduziam os rumos de uma sociedade patriarcal e machista.

O Papel de Parede Amarelo foi por muito tempo considerado um conto de terror, e foi esquecido, sendo redescoberto na década de 1970. A obra hoje é considerada uma espécie de narrativa autobiográfica, uma vez que a autora foi internada em 1880 por estar ‘doente dos nervos’. É também um importante documento na literatura feminista.

Ele traz a história de uma mulher que após ter dado a luz é diagnosticada pelo marido, médico, e pelo irmão, também médico, como histérica ou nervosa, à época era desconhecido o termo depressão pós-parto. E por isso, o marido resolve alugar uma casa de fazenda, para que os ares do campo e a ociosidade pudessem devolvê-la à saúde.

Durante toda a narrativa, em primeira pessoa, o marido a trata por ‘tontinha’, ‘menininha’, ‘coitadinha’. Ele a infantiliza e com isso a fragiliza, fazendo-a crer que aqueles adjetivos são de carinho e cuidados, e que a colocarão de pé novamente. Ele diz só quer o seu bem.

A protagonista gosta de escrever, mas a faz escondido, em um diário, pois está terminantemente proibida de trabalhar, de cansar a mente. Ela foi instalada no quarto que está no piso superior da casa, o mais arejado e também o mais distante da vida lá fora. As paredes do quarto são forradas com um papel amarelo com desenhos em arabescos. O tempo todo ela olha esse papel, tenta decifrá-lo, entendê-lo. Se aborrece. O papel é desgastado e a desgasta, é feio, de um amarelo pálido, nauseante. Os arabescos parecem mulheres que, ligadas umas a outras, rastejam.  Ela insiste na libertação daquelas mulheres-espelho que reflete sua auto-imagem, enquanto ela se prende cada vez mais. E definha, debilita-se…

E nós? Que papeis nos aprisionam? Como escapar dos sutis ‘emparedamentos’? Como perceber o gaslighting ou abuso psicológico?

 

Patricia Lorena

Mulher – menina de 45 anos, mãe – filha, viciada em livros, gatos, café e poesia. Renasce a cada livro e pensa que mora nas esquinas da poesia que lê.

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