Eu e Esse Meu Coração

Por: Josiene Vieira | Em: 21 / dezembro / 2018

Como é possível uma garota de 17 anos que possui uma doença cardíaca rara, que a fez perder seu coração e que agora vive com um coração artificial, poder viver de forma tão otimista mesmo sabendo que pode morrer a qualquer momento? “Mas, sabe, é preciso muito mais energia para ter esperança do que para aceitar a morte. Prefiro gastar minha energia aproveitando o que tenho agora”. Essa é Leah McKenzie personagem do livro Eu e Esse Meu Coração.

Antes de mais nada esse livro é uma espécie de tributo que a autora fez às pessoas/familiares que corajosamente decidem num momento tão doloroso, de morte cerebral de um ente querido, doar seus órgãos para que outros possam ter uma sobrevida “-Eric e eu optamos por doar nossos órgãos quanto tiramos a carteira de motorista. Ele disse que queria fazer isso.”. São sentimentos conflitantes enquanto uma família está em frente ao abismo pela perda do familiar uma outra está exultante porque seu ente querido terá a oportunidade de ficar ao lado deles por um pouco mais de tempo “A esperança vibra no meu estômago como uma borboleta batendo as asas pela primeira vez.” “- Nós… Você. Há um coração disponível”.

É exatamente com essa dualidade de sentimentos que nossa protagonista convive antes de receber o transplante, ela pensa que para que ela sobreviva alguém terá que morrer “Odeio pensar num transplante. Não apenas porque não acho que vá acontecer, mas porque alguém terá que morrer para que eu sobrevivesse, e acho muito errado. Mas é o que meus pais e Brandy estão fazendo, torcendo para alguém morrer”. E morre mesmo, e tinha que ser o irmão gêmeo do garoto que ela era afim e que futuramente seria seu namorado? Mas graças a este detalhe infeliz ou feliz ela pode se conectar ao seu doador e ao irmão deste e descobrir em que circunstâncias este garoto, Eric, também de 17 anos, morreu.

Para a polícia foi apenas suicídio, mas para seu irmão gêmeo ele foi assassinado, e como ele sabe disso? Apenas sabendo, pode ser apenas lenda, mas verdadeiramente Matt Kenner possui uma ligação íntima com seu irmão Eric. Ele percebeu isso aos três anos quando o irmão quebrou o braço e ele, Matt, de repente começou a sentir fortes dores em seu próprio braço e muitas outras sensações que logo depois ele descobria ser de Eric e não dele.

Com essa certeza em mente e tal conexão, Matt sabe que os repetidos sonhos que ele começa a ter, depois da morte do irmão, são uma espécie de mensagem que Eric quer passar, de que ele não se matou. Quando então ele reencontra Leah, e ele deduz que ela está com o coração do seu irmão, pois ela recebeu seu novo coração transplantado no mesmo dia em que seu irmão faleceu e eles possuíam o mesmo tipo sanguíneo. Ele, Matt, descobre que ela também tem tido os mesmos sonhos, ele confirma suas suspeitas “Eu vejo árvores com folhas da cor da primavera voando sobre mim. Sinto o cheiro de terra úmida e da noite. Sinto cheiro de medo. Estou correndo na mata. Meu coração está batendo na garganta. Eu caio. O sabor acre de puro terror explode em minha boca.”

Não existem estudos comprovando de que exista uma ligação entre doador e transplantado, confirma a Dra. Hughes, mas ela não tem muita certeza, entretanto Leah acredita nessa conexão e vai, junto com Matt, em buscas de provas de que Eric não se suicidou.

Este livro possui uma história bem envolvente, emocionante. Passando pela questão da doação de órgãos e os dilemas enfrentados pela família do doador, temos também a descoberta do amor entre adolescentes, que pode sim ser algo real e duradouro, além de uma pitada de investigação policial. Acredito que vai agradar ao público que goste de ler a respeito de tais temáticas. Eu gostei, e me emocionei algumas vezes com a leitura dele, não sou de derramar lágrimas lendo um livro, mas dessa vez foi difícil segurar em alguns momentos.

Josiene Vieira

Sou Josiene Vieira tenho 29 anos, baiana de Ibiratiaia, formada em ciência da computação. Gosto de cozinhar, bordar, assistir séries e filmes, ler e ler muito. Já tentei fazer várias coisas na vida, atualmente sou funcionária pública, mas a que deu mais certo foi me tornar leitora. Leio à pouco tempo, três anos, não por falta de gosto mas por falta de incentivo e oportunidade, na adolescência e infância tinha muita vontade de ler mas não tinha orientação a respeito do que ler.

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