Como Água para Chocolate

Por: Mariana Rio | Em: 18 / junho / 2018

A literatura de Laura Esquivel é marcada por uma diversidade que mistura elementos típicos da cultura Mexicana com temas fortes e românticos. Sem dúvida seu livro mais famoso é Como Água para Chocolate, publicado em 1989, que ganhou uma adaptação cinematográfica em 1992 e fez grande sucesso internacional.

Preciso confessar que Laura Esquivel é a primeira autora mexicana que leio, o México tem autores bem conhecidos como Carlos Fontes e Otávio Paz, mas sua literatura escrita por mulheres é relegada ao segundo plano. Exceto Juana que teve sua vida narrada por uma série da Netflix, poucas escritoras mexicana são conhecidas no Brasil. Mesmo Laura Esquivel, que tem uma produção sólida, não tem toda sua produção publicada no Brasil. Como Água para Chocolate conta com duas edições publicadas no país.

O livro narra a história de Tita e seu amor proibido por Pedro, marido de sua irmã mais velha. Mas além do romance, o livro é um mergulho na história do México revolucionário e nos prazeres da boa comida. O livro possui uma estrutura atípica, cada capítulo começa com uma receita que dialoga com a narrativa apresentada. Há quem possa achar incômoda essa quebra na narrativa, mas pensando com cuidado, as receitas estão dentro da proposta do livro.

Laura Esquivel utiliza-se metáforas culinárias a todo momento no livro para expressar sentimentos ou ações dos personagens. Essas metáforas são o grande diferencial, acompanhado das receitas que abrem os capítulos, fazendo do livro mais que uma história de amor e conflitos.

A ambientação pode ser confusa, a história se passa no norte do México durante a Revolução Mexicana, mas temos algumas passagens no Texas, nos Estados Unidos. Em poucos momentos o livro explica a situação política mexicana do período, só sabemos que estamos numa revolução no capítulo em que Tita faz uma receita que impulsiona Gertrudes, sua irmã do meio, a se entregar ao um capitão do exército revolucionário. Em nenhum momento a autora tenta explicar os motivos e as consequências políticas da invasão, além da fuga de Gertrudes.

O livro fala sobre escolhas em meio a um cenário tradicional e opressivo. A postura submissa da protagonista por grande parte da história, vista por um viés contemporâneo, pode ser tachada de covardia, mas se pensamos na criação dessa mulher e na época que vivia, isso abre uma boa discussão sobre livre-arbítrio numa estrutura feita para oprimir as mulheres.

Como Água para Chocolate é uma história tranquila de se ler. A escrita é fluida, talvez os personagens pudessem ter mais aprofundamentos, mas não é algo que prejudica a narrativa. O final é bem imprevisível e satisfatório.

Mariana Rio

Mariana Rio: Graduada em Ciências Sociais. Cineastra amadora. Viciada em livros, séries, K-dramas. Mediadora do Leia Mulheres de Niterói (RJ).

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