Fico besta quando me entendem

Por: Leia Mulheres | Em: 21 / Abril / 2018

Hoje Hilda Hilst faria 88 anos e neste ano ela será homenageada na Flip. Para comemorar, decidimos fazer uma série de posts sobre ela.

Nascida em Jaú, em 21 de abril de 1930, Hilda Hilst foi uma de nossas mais importantes escritoras. Ela publicou poesia, prosa, teatro e crônicas, e uma de suas maiores vontades era ser lida. Por vezes ficou mais conhecida por conta de sua tentativa de se comunicar com o além. Munida de um gravador, Hilda costumava passear por sua propriedade, a Casa do Sol, e tentar capturar sons em busca de vozes.

Seu pai Apolônio foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide quando ela ainda era jovem, e sua doença teve um grande impacto na vida de Hilda, principalmente em sua obra. Certa vez ele a confundiu com a esposa, fato esse que marcou muito a escritora. Seus escritos também abordam a difícil relação entre o homem e Deus.

Estudou direito na Faculdade de São Francisco junto com a Lygia Fagundes Telles, que seria sua grande amiga. Publica seu primeiro livro, Presságio, em 1950 e é muito bem recebido pela crítica, porém, seus livros seguintes não tiveram o mesmo sucesso. Hilda escreveu por mais de 50 anos, mas cansada da falta de reconhecimento, ela se propôs a escrever obras pornográficas, dotadas de seu humor característico.

Chamou atenção pela polêmica, mas ainda assim suas obras demoraram a serem redescobertas. Ela faleceu em 2004 em Campinas, e apenas três anos antes a Globo tinha passado a reeditar seus livros. Em 2017, a Companhia das Letras adquiriu os direitos de seus livros e publicou um compilado de sua poesia. Este ano é a vez da prosa.

Também neste ano, Hilda Hilst foi escolhida como homenageada na Festa Literária de Paraty. Em 16 anos de evento, ela é a terceira mulher a ser homenageada. Felizmente, não tivemos que esperar muitos anos para que outra mulher fosse escolhida, visto que Ana Cristina Cesar foi o destaque no evento de 2016. Ano passado conversamos com Joselia Aguiar, curadora da Flip deste ano novamente, e você pode conferir a conversa aqui.

Hilda teve uma vida bastante agitada, rodeada de amigos e amantes, mas após a leitura de Carta a El Greco, do escritor grego Nikos Kazantzakis, ela decidiu se mudar para a chácara de sua mãe, enquanto a sua Casa do Sol estava sendo construída em Campinas. Lá ela passou o resto de seus dias, escrevendo e recebendo seus amigos, inclusive o escritor Caio Fernando Abreu, de quem foi bastante amiga.

Quando morreu, a sua casa do sol foi mantida por familiares e amigos, herdeiros de sua obra, e atualmente ela funciona como um espaço de residência  literária, além de receber eventos. Déa Paulino, mediadora do Leia Mulheres Itapetinga, fez residência literária na Casa do Sol. Ela escreveu sobre a experiência aqui, aqui e aqui.

Hilda não foi lida da forma que gostaria em vida, mas felizmente agora sua obra está se tornando mais acessível a todos, ainda mais com essa homenagem na Flip. Esperamos que seu talento possa ser (re)descoberto de agora em diante.

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