Silber: O Primeiro Livro dos Sonhos

Por: Michelle Henriques | Em: 29 / novembro / 2017

“ – Nessa história é difícil saber a diferença entre o que é verdade e o que não é – disse ele. – E, sim, acho que as coisas aqui não são normais. O que não significa que sejam necessariamente ruins. – E, com isso, partiu, deixando a porta bater suavemente atrás de si.” pág. 233

Minha trajetória na literatura teve mudanças muito bruscas. Aos 10 anos eu estava lendo Pedro Bandeira e Ruth Rocha. Aos 11, já estava em Stephen King e Agatha Christie. “Na minha época” não tinha uma literatura intermediária, ou talvez eu não tivesse acesso a ela. Lembro que aos 15 anos eu conheci Harry Potter e fiquei bastante encantada com aquela história, que era diferente de tudo que eu já havia lido. O máximo que eu conhecia de mundos fantasiosos vinha de Anne Rice e suas Crônicas Vampirescas, e o mundo macabro do já citado Stephen King. Então, foi uma grande surpresa conhecer esse tipo de escrita.

Com o tempo fui conhecendo outros gêneros literários e a fantasia não está entre meus preferidos, mas gosto de desafios e me aventuro por YAs com toques fantasiosos. Não li muita coisa, tive algumas experiências bizarras (Crepúsculo e afins), mas estou sempre pronta para ler algo que me tire da zona de conforto. Do alto dos meus 30 anos, acho divertido ler sobre o mundo adolescente, mas com umas pitadas sobrenaturais.

Em outubro deste ano recebi o livro Silber – O Primeiro Livro dos Sonhos, da alemã Kerstin Gier e como é de meu costume, não li a sinopse. Gosto de me surpreender com os enredos, e deste eu só sabia que era um suspense e que seria lançado no Halloween. Todo ano gosto de ler terror e gêneros afins durante o mês de outubro, e este foi uma grata surpresa.

Liv e sua irmã Mia vivem uma vida pouco convencional. Viveram em vários países, e agora que seus pais se divorciaram, elas se mudam para Londres para viver com a mãe. Mas para a surpresa delas, a mãe está em um novo relacionamento e elas se mudarão para a casa de seu companheiro, que vive com dois filhos. A premissa é simples, focada em Liv e na sua vida de adolescente, mudança de escola, paixonites e vida familiar.

Mas aí entra o tom fantasioso. Greyson, quase-irmão de Liv, junto a amigos no Halloween do ano anterior, havia invocado um demônio, por puro tédio. Agora, um ano depois, Liv começa a notar que o quase-irmão esconde algum segredo. Além disso, ela começa a ter sonhos estranhos com seus novos colegas de escola, e eles parecem ter sonhado a mesma coisa.

Focando nestes sonhos estranhos de Liv, a trama vai sendo construída, intercalando sua nova vida em um novo país, nova escola, novos amigos. Há bastante humor, alguns capítulos simulam um blog de fofocas da escola. Apesar de longo, o livro não se torna entediante em momento algum. Um dos pontos positivos é que não há triângulo amoroso, como é comum em livros do gênero. E nem a insinuação creepy de um romance entre a protagonista e o quase-irmão. Claro que diversos clichês estão presentes ali, mas não atrapalham de forma alguma.

Este é o primeiro livro de uma trilogia, que leva o sobrenome da protagonista. Em entrevista, a autora diz ter sonhado com esse título, em que uma amiga lhe dizia que Silber também significa prata, usada na luta contra o mal (mas não há lobisomens no livro!). E é exatamente esse o papel da pequena heroína, Liv.

Minha experiência com esse tipo de livro ainda é pouca, mas me surpreendi positivamente. A série vendeu mais de um milhão de cópias só na Alemanha, e os direitos de tradução foram vendidos para 19 países. Olhei rapidamente no Goodreads e a série toda está bem avaliada. Creio que logo as sequências serão lançadas aqui no Brasil.

Michelle Henriques

Michelle Henriques tem 30 anos e é formada em Letras. Louca dos gatos e dos livros, é colunista no blog O Espanador e participa do podcast Feito por Elas.

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