Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis

Por: Leia Mulheres | Em: 27 / junho / 2017

Quando começamos o Leia Mulheres, nosso maior intuito era conhecer e divulgar o máximo possível de escritoras, nos mais diversos gêneros literários e países de origem. Recentemente nos demos conta de que nunca tínhamos lido cordel (apenas um breve contato em algum momento na escola), muito menos cordel escrito por uma mulher e sobre mulheres. O gênero não é muito divulgado atualmente, mas vem ganhando força, principalmente através da escritora Jarid Arraes.

Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, interior do Ceará, em 1991. Filha e neta de cordelistas e xilogravores, ela cresceu em contato com a cultura tradicional nordestina, mas sempre percebeu como mulheres – principalmente negras – eram pouco lembradas na história de nosso país.

Seu trabalho, então, sempre deu ênfase a essas personagens. Seu primeiro livro, As lendas de Dandara, tem contos que misturam ficção com fatos históricos para falar de uma importante líder quilombola, Dandara dos Palmares. A autora também produziu, de forma independente, mais de 60 cordéis, sempre sobre mulheres importantes da história e que muitas vezes foram negligenciadas pelos livros.

Recentemente foi publicado pela editora Pólen o livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, em que Jarid reúne 15 desses cordéis. Em cada texto, a autora nos apresenta uma das heroínas, utilizando a estética e a musicalidade dos cordéis, reforçando a importância e a força de uma cultura que tantas vezes fica restrita à região em que é produzida. As xilogravuras intercalam os cordéis, com projeto gráfico e ilustrações de Gabriela Pires.

Na introdução do livro, a professora e pesquisadora Jaqueline Gomes de Jesus diz: “E esta mulher negra se engajou para versejar outras, relegadas ao silêncio, à invisibilidade. Corajosamente, Jarid decidiu enfrentar o racismo e o machismo com prosa e verso. E é de sua poesia que ora falamos nesta publicação”.

“Dentre a multidão de heroínas negras que lutaram nestas terras tupiniquins, anônimas ou um pouco mais conhecidas, a autora aqui compilou quinze delas, cujos nomes faço questão de repetir, com destaque”. E nós também fazemos questão de exaltar esses nomes. São elas: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba.

Ao final do livro, Jarid faz um convite ao leitor, para que ele escreva sobre uma mulher negra que fez diferença em sua vida. Depois, o leitor pode enviar sua criação para a autora.

Esse livro é mais que necessário para que conheçamos essas mulheres que foram tão importantes na história de nosso país, e também para divulgar o cordel, poética tão sensacional que infelizmente nem todos os leitores são familiarizados.

Esta resenha foi escrita por Juliana Leuenroth e Michelle Henriques

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