Melhores livros lidos em 2016 – Leia Mulheres

Por: Leia Mulheres | Em: 22 / dezembro / 2016

 

O ano de 2016 foi realmente intenso para o Leia Mulheres. O número de clube e cidades participantes aumentou e a quantidade de novas mediadoras e de leituras refletem essa intensidade. Parte delas estão nos melhores do ano que queremos compartilhar com vocês na lista abaixo:

Laíza Felix – João Pessoa/PB
Nua sob escamas“, Luciana Queiroz (Editora Patuá)
Primeira publicação da campinense Luciana Queiroz, “Nua sob escamas” reúne alguns bons anos de poesia da autora, que editou um conjunto não apenas tematizado em torno do feminino, mas de suas próprias vivências – que foram, de alguma forma, registradas nesses escritos.

Thaís Vitalle – São Bernardo do Campo/SP
Vozes de Tchernóbil – a história oral do desastre nuclear” – Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras)
O livro apresenta a história do terrível desastre nuclear ocorrido em Tchernóbil (ou Chernobil) há 30 anos. Por meio das vozes das pessoas comuns, como esposas de bombeiros e liquidadores que trabalharam em Tchernóbil, cientistas, moradores que se recusaram a deixar suas casas, trabalhadores que vivenciaram o horror, professores e crianças, entendemos como a dor da tragédia foi pior que uma guerra para quem morava no local O primeiro e um dos últimos relatos são absurdamente fortes. Em vários momentos, os depoimentos deixam o leitor com nó na garganta. É impressionante como a autora reuniu diversas vozes para construir esse livro incrível e é muito interessante perceber como era a mentalidade do homem soviético, muitíssimo diferente do que vemos no mundo ocidental. Sem dúvidas, nós brasileiros fomos presenteados com essa primeira tradução dos livros de Svetlana, fomentada devido ao fato de a escritora ter recebido, em 2015, o prêmio Nobel de Literatura.

Mariana de Ávila Palhares – Brasília/DF
Vozes de Tchernóbil – a história oral do desastre nuclear” – Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras)
A observação, apuração cuidadosa e a capacidade de ouvir da autora resultaram neste livro que dá voz para que várias pessoas contem sobre o maior acidente nuclear da história. Leitura densa, triste e essencial para conhecer o ponto de vista de quem viveu – e ainda vive – esta tragédia russa.

Jam Pawlak, Santos/SP
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” – Martha Batalha (Companhia das Letras)
Absolutamente extraordinário, uma viagem no tempo nas asas da sensibilidade feminina.

Julia Mikita, Santos/SP
Sonata em punk rock” – Babi Dewet (Autêntica)
Recomendo entre os lançamentos de 2016, o livro “Sonata em Punk Rock”, uma história que vai deixar marcas musicais e perspectivas de novas descobertas em sua vida.

Olivia Gutierrez – Belo Horizonte/MG
Quarto de despejo“, da Carolina Maria de Jesus (Ática)
Os escritos de Carolina – mulher, negra, favelada e cuidando sozinha de seus filhos ainda pequenos – fazem entender finalmente o significado da expressão “matar um leão por dia”. O formato de diário é cruel, mostrando como a pobreza e a fome, insistentes todos os dias, endurecem as relações. Esse, sim, é leitura obrigatória.

Juliana Leuenroth – São Paulo/SP
Meu nome é Lucy Barton” – Elizabeth Strout (Companhia das Letras)
Uma doença repentina (e inexplicável), a visita inesperada da mãe que não vê há anos, um acerto de contas com o passado. É impressionante como Elizabeth Strout consegue explorar esses temas (e tantos outros) num romance de 160 páginas. Um pequena pérola sobre a incomunicabilidade e sobre o perdão.

Michelle Henriques – São Paulo/SP
Confissões do Crematório” – Caitlin Doughty (DarkSide)
Sabe aquela coisa de criar muita expectativa com um livro e se decepcionar? Felizmente isso não aconteceu comigo. Eu esperava ansiosamente por uma edição brasileira de “Confissões do Crematório” e me vi diante de um dos melhores livros que já li na vida. Como diz o nome, a autora conta a sua experiência de como foi trabalhar em um crematório, mas não apenas isso, ela também faz reflexões sobre a morte, sobre como diversas culturas lidam com a perda de uma pessoa, e como houve toda uma higienização da morte das dias atuais. Recomendo e muito a leitura.

Pilar – Goiânia/GO
Ardiduras” – Priscila Merizzio (7letras)
O segundo livro da escritora curitibana é surpreendente. Os poemas, divididos em cinco grandes partes, trazem a força da poesia que rompe o silêncio, que dói, que morde e que mata. Imagens cruas e poderosas, de uma sensibilidade muito peculiar. “Ardiduras” é um livro para ser degustado sem pressa, lentamente, que desloca o leitor de tal maneira é faz pensar que perdemos pedaços de nós, deixados nas páginas do livro, compondo a obra.

lundu” – Tatiana Nascimento (Padê Editorial)
É um livro de experiência e entrega já na sua concepção. A capa é um embrulho delicado, com a tiragem escrita a mão, e costura à mostra que nos convida a abrir todos os sentidos para a poesia porrada, orquestrada sem pontas soltas de Tatiana Nascimento. Ancestralidade, resistência, sensualidade e intensidade se misturam nas mais de 100 páginas de poesia refinada, em jogos de palavras que arrebatam o leitor.

Vermelho” – Dairan Lima (Nega Lilu)
O primeiro livro de Dairan Lima é um desbunde de maravilhoso. Instigante, sedutor, revela toda a maturidade de uma escritora que rouba a cena, arrebata corações e deixa a todos sedentos de tesão pelos seus versos. Vermelho traz o tom do sangue, da paixão, da morte, da carne que consome a carne em antropofagia. E deixa o leitor querendo ainda mais.

Alessandra Jarreta – Fortaleza/CE
O papel de parede amarelo” – Charlotte Perkins
Clássico maravilhoso da literatura feminista publicado em 1892, esse pequeno livro conta a história de uma jovem dona de casa que é levada ao campo pelo marido para tratar de uma doença indefinida, uma espécie de fadiga nervosa. Embora o marido, um médico, seja aparentemente um homem amável e bem-intencionado, fica evidente que o tratamento que confere à esposa é uma das razões da sua enfermidade. Maravilhoso, desesperador e com um final incrível!

Mulheres, raça e classe” – Angela Davis (Boitempo)
Um livro essencial para os nossos tempos, “Mulheres, raça e classe” traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher.

As três Marias” – Rachel de Queiroz (José Olympio)
O livro conta a história de três meninas confinadas em um internato de orientação católica e seu processo de adaptação ao mundo exterior, mostrando suas angústias e questionamentos dentro de uma sociedade conversadora.

Juliana Gomes – São Paulo/SP
Liturgia do fim” – Marília Arnaud (Tordesilhas)
Comparado pela autora Maria Valéria Rezende a “Lavoura arcaica”, “Liturgia do fim” se assemelha pelo enredo mas traz à tona a sociedade patriarcal em que vivemos e a violência contra mulheres e crianças que acontece todo dia.

Uma vida pequena” – Hanya Yanagihara (Record)
Talvez o melhor livro que li nesse ano. Muitos podem discordar pela pegada violenta na escrita mas talvez esse tenha sido o modo de trazer a realidade da maneira mais nua e crua possível. Quatro amigos, quatro realidades e quatro destinos muitos diferentes.

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