Orgulho e Preconceito

Por: Mariana de Ávila | Em: 16 / março / 2016

“É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.”

Admitindo-se possíveis diferenças em algumas traduções, é com essa frase que Jane Austen abre “Orgulho e Preconceito”, um de seus mais famosos romances. Com mais de 200 anos desde a primeira publicação, o livro continua conquistando leitores mundo afora e ainda é fonte de inspiração para debates envolvendo relacionamentos e feminismo.

Na história, Elizabeth Bennet vive com seus pais e suas quatro irmãs em Longbourn. A propriedade onde a família vive é um dos principais motivos de preocupação para a mãe, pois, quando o pai das meninas morrer, o terreno passará para Collins, um primo distante. Isso acaba levando a outra preocupação da mãe: casar as filhas para garantir que elas tenham onde ficar no futuro.

O desespero em casar as filhas vira uma obsessão quando um jovem solteiro e rico chega às redondezas. Mr. Bingley aparece acompanhado do amigo Mr. Darcy. Na festa de recepção do novo morador da região, Bingley já demonstra interesse por Jane, a Bennet mais velha; enquanto isso, Elizabeth e Darcy já se estranham, fazem pré-julgamentos e criam antipatia um pelo outro. Ela é sagaz nos diálogos, foge às convenções sociais e chega a ser criticada por não ser tão prendada, de acordo com os requisitos da época; ele é rico, elegante, frio e, aparentemente, orgulhoso.

No livro, o casamento é apresentado como a única forma de acessão social possível à mulher, conforme os próprios costumes do período retratado. Não importava se ela lia, tocava piano, cantava, escrevia, costurava ou qualquer outra atividade. Na verdade, era até importante saber tudo, mas não como forma de crescimento, mas, sim, como um atrativo a mais na hora de se apresentar a algum homem. A pressão da necessidade do matrimônio faz outra personagem do livro se unir a um sujeito presunçoso, prepotente e bajulador somente para resolver logo esse “problema” de ficar sozinha. Se ela não fizesse isso, teria que carregar o rótulo de solteirona, azarada e infeliz.

Jane Austen nasceu em 1775, na Inglaterra, e faleceu em 1817, aos 41 anos. Não é fácil afirmar como foram os anos de vida da autora. Há quem diga que ela quase chegou a se casar, mas o relacionamento não teria dado certo por motivos financeiros. Até mesmo o retrato que se conhece hoje de Jane Austen é considerado ainda um mistério por muitos.
A vida e a obra da autora são fonte de inspiração para o cinema, séries e até mesmo outros livros. “Orgulho e Preconceito”, por exemplo, rendeu várias adaptações para a televisão e para o cinema (inclusive, na Índia). Além das adaptações da obra (como a excelente série da BBC, de 1995, e o filme dirigido por Joe Wright, de 2005), há também produtos que tomam a obra escritora britânica como referência e inspiração. É o caso do famoso O diário de Bridget Jones, livro que também acabou rendendo adaptação para as telas do cinema.

Os debates propostos por Jane Austen, embora retratem um ambiente rural do começo do século XIX, ainda levantam questões atuais. Segundo livro da britânica Jane Austen, “Orgulho e preconceito” é marcado por uma narrativa que mescla humor, ironia e críticas aos costumes daquela época. Junto ao tema matrimônio, a autora aborda também as diferenças sociais e o cotidiano na Inglaterra entre a virada do século XVIII para o XIX. A leitura é recomendada não apenas para conhecer um das principais autoras da literatura, mas para refletir sobre o registro de uma época e como alguns costumes repercutem nos dias de hoje.

Mariana de Ávila

Mariana é jornalista e possui Especialização em Leitura e Produção de Textos. Já trabalhou em portais de política. Atualmente, atua como freelancer, produzindo matérias para veículos impressos e eletrônicos.

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